Deputado Anderson do Singeperon - Sua voz no Parlamento

Deputados vão à Terra Indígena Rio Branco ouvir reivindicações

Em Alta Floresta, Ezequiel Júnior e Anderson do Singeperon conversaram com diversos caciques

Por Assessoria de Comunicação Social dia em Notícias

Deputados vão à Terra Indígena Rio Branco ouvir reivindicações
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Os deputados Ezequiel Júnior (Sem Partido) e Anderson do Singeperon (PV) estiveram na última semana na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta do Oeste, conhecendo os problemas vivenciados pelos aproximadamente 1.200 índios de 12 etnias que vivem em mais de 30 aldeias. Os parlamentares se comprometeram em acionar o Executivo Estadual para assegurar a manutenção da estrada e atendimentos na área de saúde.

Ezequiel e Anderson integram a Frente Parlamentar Permanente aos Povos Indígenas, encarregada de acompanhar as reivindicações que os índios têm encaminhado à Assembleia Legislativa. A principal reclamação foi a de que a Prefeitura de Alta Floresta não reverteu em benefício das aldeias nem um centavo dos R$ 980 mil que recebeu de ICMS Ecológico, destinado pelo governo federal devido à área preservada na TI Rio Branco.

Na aldeia São Luiz, Anderson do Singeperon esteve na escola Boat Gereinny, nome do cacique mais antigo da localidade, já falecido. O deputado conversou com o professor Paulo Rossi Kanoé, que está cursando Pedagogia na Unir. O indígena disse ao parlamentar que os moradores das cidades dificilmente sabem como vivem os índios.

Na TI Rio Branco a maioria das aldeias conta com poço artesiano, água encanada, energia elétrica e placas de energia solar. Muitos indígenas têm telefone celular, apesar de contarem com Internet somente em algumas delas. “Na cidade, as pessoas nem imaginam isso”, destacou Paulo Rossi.

O professor Walmir Makurapi, que também cursa Pedagogia, explicou ao deputado Anderson que o indígena precisa estudar, para dessa forma buscar seus direitos assegurados por lei. “Nós fazemos isso para podermos ser entendidos pelos não índios. Somos conscientes desses nossos direitos”, afirmou.

Anderson do Singeperon foi até um ramal com o índio Moraes Tupari, que mostrou a necessidade de as máquinas do DER deixarem trafegável aquela espécie de trilha tomada pelo mato, pela qual só passam veículos com tração nas quatro rodas. Ele explicou que, como não existe estrada, para chegar a sua aldeia, a Poção, precisa seguir quatro horas pelo rio, em uma pequena canoa movida a motor. O parlamentar disse que verificará a possibilidade de resolver o problema.

Ezequiel Júnior pernoitou na aldeia Jatobá, na casa do cacique Luiz Tupari, torcedor do Botafogo. Durante a noite, após ver o primeiro tempo de um jogo do Flamengo, o cacique e alguns outros indígenas conversaram com o parlamentar próximo a uma fogueira. Enquanto o chefe rachava lenha, índios diziam estar claro que eles não são preguiçosos como diz muita gente que mora na cidade.

No dia seguinte, Ezequiel, que é presidente da Frente Parlamentar Permanente aos Povos Indígenas se reuniu com representantes das etnias Tupari, Kampé, Makurapi e Dyahoi. O deputado convidou para compor a mesa os caciques Luiz Tupari e Samuel Tupari, e disse que a estrada que dá acesso às aldeias foi a pior vista até o momento, acrescentando que os índios deveriam elencar duas prioridades, para que os deputados trabalhassem nessas reivindicações.

“Não vamos prometer milagres nem dizer que no ano que vem tudo estará resolvido. E não adianta colocarmos muitas prioridades, por isso vamos definir apenas duas”, explicou o parlamentar.

Ezequiel Júnior classificou como justa a reivindicação de que pelo menos parte do ICMS seja aplicada nas aldeias e citou o exemplo de Vilhena, que recebeu R$ 2,9 milhões em um ano, mas não desenvolveu atividades para beneficiar os indígenas. Ele também se comprometeu em conversar com o deputado Cleiton Roque (PSB), para que o colega dê prosseguimento ao projeto, que prevê a implantação de uma política indígena pelo Executivo.

“Falta no governo uma secretaria ou superintendência para cuidar da educação indígena e do esporte. Essas atribuições podem até ficar a cargo de um órgão já existente, mudando a nomenclatura. Vamos conversar com o deputado Cleiton Roque sobre isso”, afirmou Ezequiel.

Depoimentos

O cacique Luiz Tupari disse que as aldeias têm escolas, mas que ainda é preciso investir mais em educação. Ele já tinha conversado com Anderson do Singeperon no dia anterior e com Ezequiel Júnior.

Samuel Tupari disse que o posto de saúde da TI Rio Branco não tem estrutura e que a fila de espera é demorada para atendimento na cidade. Ele elogiou os parlamentares, dizendo que “deputado de gabinete” não tem condições de conhecer a raiz dos problemas da comunidade.

Gerson Tupari tinha diversas reivindicações anotadas em seu celular. Ele pediu a manutenção da estrada, explicando que por ela saem pacientes rumo a hospitais e a produção das aldeias. O indígena disse ter recebido o comunicado de que as antenas de Internet serão retiradas.

“Na minha aldeia, não vou permitir que isso aconteça. A antena está em nosso nome. Não somos mais aqueles índios de 15 anos atrás. Nós conhecemos nossos direitos”, disse Gerson Tupari, reivindicando a rede de energia elétrica para a aldeia dele, a Colorado, acrescentando que a antena de Internet funciona com energia solar.

Durval Kampé cobrou a abertura da estrada até a localidade de Cajuí. Ele reivindicou, ainda, mais placas de energia solar, citando que a aldeia é atendida pelo programa Luz para Todos. O indígena denunciou que as pequenas centrais hidrelétricas localizadas nas proximidades tornaram o nível do rio Branco mais baixo, prejudicando a comunidade, que se locomove com voadeiras.

Erivaldo Kampé entregou a Ezequiel Júnior um documento solicitando a complementação da estrada até a localidade de Cajuí e disse que pela primeira vez deputados foram até a aldeia conhecer a realidade local. “Não é todo mundo que vem até aqui pegar picada de pernilongo”, destacou.

João Kampé pediu para o deputado voltar mais vezes e disse esperar uma resposta dos parlamentares, positiva ou negativa. Ele acrescentou ver com alegria que autoridades tenham ido até as aldeias.

Eder Jofre Tupari disse que há casos de indígenas que ficam um ano esperando por uma consulta no SUS. Ele pediu um posto de saúde na aldeia e também a abertura de um poço semiartesiano para a escola, citando que atualmente a instituição é atendida por um poço amazonas.

O cacique Luiz Tupari explicou que existe o recurso para a abertura do poço semiartesiano, mas a empresa não aceita levar os equipamentos até lá pelo rio. “A escola tem o recurso, mas não se pode obrigar a empresa a fazer o trabalho. É preciso abrir a estrada”, acrescentou.

Moisés Kampé disse que no posto de saúde não falta medicamento básico, e que o problema é com os remédios de alto custo. “É preciso uma portaria regulamentando a compra de mais medicamentos pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai)”, especificou.

Antonio Kampé pediu um veículo para atender as aldeias e placas de energia solar. “Geralmente olham os índios através de um binóculo, bem de longe. É bom ver que deputados vieram até aqui”, citou.

Carlos Augusto Tupari disse que os índios estavam apenas cobrando seus direitos. “A empresa não quer levar os equipamentos pelo rio e não temos estrada. Somos eleitores que estão pedindo ajuda”, lembrou.

Ezequiel Júnior disse que resolverá muita coisa, através de seu gabinete, mas que serão elencadas duas reivindicações, para que os deputados da frente parlamentar possam trabalhar para atender, com o apoio dos demais colegas na Assembleia Legislativa.

Ele colocou em votação, sendo aprovada por unanimidade que a primeira prioridade é a manutenção da estrada e a abertura de mais 30 km, até a localidade de Cajuí, atendendo as aldeias Colorado e Formigueiro.

A segunda prioridade, segundo decidiram as lideranças, é o atendimento pelo SUS. Ezequiel disse reconhecer ser absurdo esperar um ano por uma consulta médica. Os índios deverão repassar a relação de quem está precisando ser atendido ao cacique Luiz Tupari, que encaminhará a documentação ao deputado.

Ezequiel Júnior se comprometeu, ainda, em colaborar com os índios, através de seu gabinete. “Eles estão abrindo um picadão no braço, porque não contam com equipamentos para isso”, citou.

No dia anterior, o deputado Anderson verificou o que os índios da TI Rio Branco mais precisam, para destinar emenda parlamentar para atendê-los.

Também participam da frente parlamentar os deputados Dr. Neidson (PMN), Jesuíno Boabaid (PMN) e Lazinho da Fetagro (PT).

ALE/RO - DECOM - Nilton Salina | Foto: Eliênio Nascimento
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